Uma confissão de verão que nunca esqueci
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Vi ele pela primeira vez no vestiário e soube que o queria para mim. Semanas depois, eu estava de joelhos diante dele no próprio apartamento.
Quando Valentina entrou na cozinha naquela manhã, ele estava apoiado na ilha com o café na mão e um olhar que não tinha nada de fraternal.
O cartaz prometia orgia, casais, strippers. O que aconteceu naquele motel foi outra coisa: ele me despiu diante de trinta desconhecidos.
Eles passavam anos sem dizer em voz alta. Nessa noite alguém disse, e as duas mulheres se levantaram da mesa sem olhar para trás.
Eu estava há meses sem abrir aquela pasta oculta no celular. Nessa noite, a insônia e o desejo decidiram por mim.
Caminhei descalça pelo corredor e encostei a testa na porta do quarto. Sabia que ele viria atrás. E sabia exatamente o que ele faria comigo ali.
Rodrigo apresentou seus três amigos. Cada um trouxe um envelope e um presente. Valentina olhou para eles e disse que já podiam começar.
Na segunda, só descobri que ele não conseguia tirar os olhos de mim. Na sexta, me deu a chave da biblioteca e me marcou às seis.
A tampa traseira aberta, o vale em chamas ao fundo e ele perguntando se eu queria transar ali. Aquela tarde foi exatamente o que nenhum dos dois esperava.
Uma enseada escondida, um mirante sobre o mar e uma aposta: ele tinha um minuto para fazê-la gozar antes de serem flagrados.
Era só um jogo para fazer amigas, mas quando ela perguntou se podia vir naquela noite, entendi que a gente tinha cruzado uma linha que eu queria cruzar.
Tirei o salto por baixo da toalha e, enquanto ele sorria distraído, comecei a lembrá-lo de quem tinha o controle naquela noite.
Eu o adicionei sem pensar. Li tudo o que ele publicou. Nunca dei um like. Três anos depois, ainda não ouso escrever para ele, mas penso nele toda noite.
Ele tinha vinte e um anos e me olhava havia meses de um jeito que eu fingia não notar. Nessa noite, meu filho foi dormir e ficamos sozinhos.
Duas mulheres separadas, um apartamento arrumado demais e um baralho que ninguém deveria ter encontrado naquela noite.
Doze pessoas que nunca tinham se visto, uma casa com piscina no campo e duas noites sem roupa. Eu montei tudo. Ninguém foi embora decepcionado.
Sempre pensei que gostava de homens. Foi o que achei, até a noite em que minha amiga me olhou de outro jeito e algo em mim respondeu sem eu decidir.
Fazia um mês que eu não conseguia tirar daquele canto do Industria da cabeça. Nessa madrugada, decidi voltar, mas desta vez não iria sozinha.
Quando ele me chamou à mesa e pediu que eu parasse de distraí-lo, eu soube que na sexta-feira minha tanga não voltaria para casa comigo.