O homem maduro que encontrei na cozinha naquela noite
Quando desci à cozinha eram três da manhã. Ele estava sentado com uma xícara na mão, o torso nu, me olhando como se estivesse me esperando.
Quando desci à cozinha eram três da manhã. Ele estava sentado com uma xícara na mão, o torso nu, me olhando como se estivesse me esperando.
Ela me pediu para apoiar as mãos na parede e me olhar no espelho. Lá fora havia gente. Lá dentro, só os dedos dela se movendo sob a saia.
Subi a escada metálica com a saia presa à mão e quatro pares de olhos tentando se enfiar entre minhas pernas. Quem me esperava lá em cima não era Raúl.
A primeira vez que o vi soube que era um erro. Um erro que passei três anos evitando, até a noite em que ele bateu à minha porta às duas da madrugada.
Encosta teu pé no meu lado, ele disse. Depois o braço. Depois a mão. E então entendi que não estávamos comparando nada.
Ele devia ter uns sessenta anos e um olhar que não escondia nada. Quando me chamou para a casa dele, eu soube exatamente o que ia acontecer.
Valentina passou o dia inteiro olhando para ela de um jeito diferente. Quando o último convidado foi embora, as três subiram à suíte e o silêncio disse tudo.
Ainda com o gosto da pele dela nos lábios, eu soube que aquela noite no carro mudaria tudo o que eu achava saber sobre desejo.
Eu passei a semana toda ensaiando como dizer o que eu precisava naquela noite. Quando ele entrou pela porta do apartamento, eu soube que já não seria preciso falar.
Eu dei permissão para ela ficar com outro. O que eu não esperava era ficar colado ao telefone, ouvindo tudo, sem conseguir desligar.
Eu respirava fundo diante da porta do quarto quando as mãos dele envolveram minha cintura por trás. Eu não estava preparada para o que viria.
Quando vi o massagista entrar nu na sala de óleos, soube que aquilo não era um presente de aniversário normal. E eu estava certa.
Faz cinco anos que eu não a via. A mulher que entrou no quintal naquela tarde não tinha nada a ver com a prima adolescente que eu lembrava.
Prometi a mim mesma que não ia cair de novo. Mas quando ele abriu a porta e me olhou daquele jeito, eu soube que todas as minhas regras iam se quebrar antes do amanhecer.
Cheirava a tabaco e campo, não a perfume caro. Quando desci à cozinha para pegar água às três da manhã, soube que ele estaria lá, fumando sob a lua.
O calor, o mar e dois casais cômodos demais entre si. Quando os dois homens saem para buscar cervejas, ninguém imagina de que acabarão falando.
Eu vinha me dizendo havia semanas que era o certo: criar distância, pegar aquele avião e não olhar para trás. Mas quando abri a porta e o vi, tudo desandou.
Aquele armário de homem comia um sanduíche no balcão. Bastou cruzar olhares para saber que naquela noite eu iria procurá-lo na porta da boate.
Quando Valeria corrigiu a postura dele na máquina, ele não conseguiu esconder. Ela viu, sorriu e propôs algo que não estava em nenhum programa.
Quando ele me levou para a escada de serviço do salão, já fazia meia hora que a mão dele tinha decidido por nós duas. Eu só deixei acontecer.