O que meu vizinho viu através da cortina aberta
Atravessei a sala para beber água, sem lembrar que as cortinas continuavam abertas. Do outro lado do vidro, os olhos dele já haviam me encontrado.
Atravessei a sala para beber água, sem lembrar que as cortinas continuavam abertas. Do outro lado do vidro, os olhos dele já haviam me encontrado.
Eu tinha quarenta e quatro anos, duas filhas e um divórcio recente quando a garota da casa da frente me olhou de outro jeito e disse o que eu não ousava pensar.
Naquela manhã, quando entreabri os olhos no colchão encostado na varanda, ela já estava lá, na dela, fumando, esperando que eu me virasse.
A velha vizinha me deu a foto da traição antes da despedida. Eu só pensava na porta da Sofia e se ela me deixaria voltar para a casa.
Subi suas caixas, preparei um café para ela e, antes de terminar, já sabia que essa vizinha ia mudar todas as minhas noites naquele prédio.
Baixei o zíper da saia sem saber que ele me observava da janela em frente. O que começou como vergonha virou um jogo.
Às quatro menos cinco eu estava nu no sofá, olhando a janela da frente e esperando ela aparecer para fechar a dela.
A campainha tocou justamente quando ela terminava de estender a roupa. Eu me escondi no quarto e a vi sair para atender sem nada, só com anabelas e um sorriso.
A primeira vez foi um acidente. Depois, toda noite em que ele recebia uma visita, eu levava a poltrona para a janela e deixava a mão descer sozinha.
À meia-noite, vestida com sua minissaia mais curta e a camisa branca sem sutiã, Carolina atravessou o jardim rumo ao contêiner dos pedreiros.
Três semanas sem notícias dele e eu não aguentei mais. Mandei «oi» e a resposta me lembrou a única coisa que eu era para ele: sua puta obediente.
Abri a gaveta errada por engano e descobri que minha melhor amiga escondia coisas que eu nem sequer sabia nomear. Naquela tarde, ela decidiu me explicar uma por uma.
Revisei as câmeras do terraço e descobri que a filha da minha vizinha vinha nos espionando em silêncio atrás das cortinas havia semanas.
Eram sete da manhã, eu tinha acabado de terminar com minha namorada por mensagem e a vizinha ainda estava de bruços na minha cama. Não ia desperdiçar a manhã.
Quando descobri o vizinho espiando por cima do muro, não me cobri. Baixei o sutiã no chuveiro do quintal e deixei que ele visse tudo.
Baixei a luz da sala para que ela não me visse, mas quando o lençol começou a se mexer sob seus quadris, soube que naquela noite eu não ia dormir.
Desci para buscar água às duas da madrugada e a luz azul da TV me parou em seco. Meu filho estava no sofá, e eu não consegui desviar o olhar.
Um robe azul, um livro e um descuido. Bastou um segundo olhando pela janela da frente para minha manhã mudar para sempre.
Eu apagava a luz do quarto para vê-lo melhor sem ser vista. Numa madrugada ele virou o rosto para minha janela, sorriu, e entendi que eu nunca tinha sido a única a olhar.
Eu morava no beco havia um mês quando fiquei encarregado de fazer o ponche com a casa 207. Não imaginava que a mulher que abriu a porta e o marido dela mudariam meu conceito de desejo naquela mesma noite.