O amigo da outra quadra e as massagens que mudaram tudo
As mãos dele já não procuravam a dor nas minhas costas. Eu sabia, ele sabia, e mesmo assim não disse nada quando desceram pelo rego até onde nunca haviam chegado.
As mãos dele já não procuravam a dor nas minhas costas. Eu sabia, ele sabia, e mesmo assim não disse nada quando desceram pelo rego até onde nunca haviam chegado.
Trinta e dois anos, unhas vermelhas e um jeito de olhar para as mulheres que parecia um cumprimento e uma pergunta. Eu era uma mulher casada. Até a noite em que esqueci as chaves.
Quando vi minha calcinha em cima da mesinha do vidraceiro, soube que ele vinha me olhando há semanas. E, em vez de entregá-lo, resolvi lhe dar algo melhor para guardar na memória.
Havia dias que eu me escondia entre os arbustos, vendo-a cavalgar outro homem todas as noites. Quando ele faltou por causa de uma febre, deitei-me em seu lugar.
Quando me inclinei pela janela do carro para ver se minha irmã ainda estava acordada, descobri ele na janela, fumando. E soube que não ia desviar o olhar.
Ele achou que era só uma vizinha curiosa, até ela completar 18 anos e dizer, sem rodeios, que queria ser desvirginada por ele.
Eu o cruzava no elevador havia meses, sabendo que era impossível. Numa noite, encontrei um cartaz amarelo com um número e a promessa de uma amarração.
Eu tinha a casa só para mim, quatro doses no corpo e a certeza de que quatro homens me observavam do andaime. Não desperdiçaria aquela manhã.
Nós o vimos entre os lírios, nos olhando da sombra. Daniela se ajoelhou sem avisar e eu soube que aquela noite mudaria tudo o que éramos como casal.
Minha mãe tinha me mandado pedir uns ovos emprestados. Dona Marisol abriu a porta de robe, com o cabelo ainda molhado, e me olhou de um jeito que eu nunca esqueceria.
Abri as cortinas, acendi a luminária do canto e soube que ele estaria espiando da varanda vizinha. Naquela noite íamos dar a ele algo que não ousaria pedir.
A cama rangia no ritmo de gemidos contidos. Fui descalço até a fresta da porta de Camila, e o que vi me deixou pregado ao chão por uma hora inteira.
A toalha mal me cobria quando bati na porta do vizinho do sétimo. Ele aceitou me ajudar a abrir o apartamento só se eu deixasse cair a única coisa que me cobria.
A gente se cruzou no elevador por acaso. Ela levava caixas e eu estava com as mãos livres. Aceitei ajudar sem saber que aquela bodega ia nos fechar lá dentro.
Desci do carro só para pegar um pacote e lá estava ele, o magrelinho que me via de biquíni, agora homem e me olhando como se ainda tivesse mil perguntas.
Eram duas da manhã, abri a janela procurando ar e a vi estendida no sofá da sala da frente, sem a menor ideia de que alguém a observava.
O terraço envidraçado deixa minha silhueta visível para fora. Naquele dia, enquanto eu estendia roupa nu, ouvi duas vozes de garotas rindo bem embaixo da minha janela.
A primeira vez que encontrei a embalagem no lixo, pensei que tinha me enganado. Na quarta vez, já sabia exatamente o que estava acontecendo naquele quarto.
Subi com uma desconhecida e, ao fechar a porta, soube que minha vizinha já estava postada atrás da cortina, pronta para ver cada detalhe do que aconteceria.
Às dez e quarenta e cinco eu já estava descendo as escadas do meu apartamento. Antes de sair, olhei pelo olho mágico, por se acaso visse alguém. O hall estava vazio. Melhor assim.