O que o desconhecido da garagem viu naquela manhã
Você olhava para os lados, certa de que estava sozinha, quando ergueu o vestido no meio da garagem. Não viu que, duas vagas adiante, alguém vinha te observando havia tempo.
Você olhava para os lados, certa de que estava sozinha, quando ergueu o vestido no meio da garagem. Não viu que, duas vagas adiante, alguém vinha te observando havia tempo.
Ele abriu a porta sem olhar pelo olho mágico e reconheceu aquele sorriso de mil telas. Sua vizinha era ela. E acabara de lhe pedir um favor inocente demais.
Deixei a camisola à vista no banheiro, calculei cada gesto e esperei para ver até onde o rapaz do quarto B se atreveria a ir.
Eu disse que naquela noite não saía. Então ele bateu na minha porta com um vestido rosa na mão e aquele sorriso que já sabia de antemão que ia me ganhar.
Ela desceu do carro com a jaqueta entreaberta e eu soube que naquela noite não ia me conter. Ela tinha dito que não devíamos; eu já tinha decidido o contrário.
Ela só ia aconselhá-lo sobre um avental. Não imaginou que, diante do vendedor, ele a apontaria como se fosse a criada que vieram vestir.
Naquela noite a vi pela janela, sozinha e desesperada com o brinquedo. E soube exatamente o que fazer com ela... e com o filho dela, que observava ao meu lado na escuridão.
Eu só queria sentir o cheiro por um segundo. Quando ouvi a voz dela atrás de mim, soube que naquela noite eu deixava de decidir quando, como e quanto.
Quando Bárbara deixou a sandália pendurada na ponta dos dedos, eu soube que obedeceria ali mesmo, no hall, passasse quem passasse.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.
Entrei em casa sem fazer barulho para buscar um papel e encontrei minha mulher com o chinelo na mão e a amiga sobre o colo, esperando o castigo.
Subi de robe, descalça e furiosa, disposta a gritar com ele. Ele abriu a porta, me olhou de cima a baixo e eu soube que era eu quem estava encrencada.
Quatro manchas violáceas nos meus quadris tinham o formato exato dos dedos dele. Vesti-me como uma executiva impecável, mas os dois sabíamos a quem meu corpo já pertencia.
Apoiado na bancada, ele e a moça acharam que a casa estava vazia. Não contavam que ela voltaria antes da hora, nem com o que guardava para quem ousasse enganá-la.
Subiu ao ático disposta a expulsar o intruso a pontapés. Baixou a cabeça quando ele mandou servir o vinho de joelhos e descobriu que obedecer também era prazer.
Trocamos olhares na piscina a tarde toda. Quando subi para buscar água e ele entrou atrás de mim, soube que não havia mais volta.
Atravessei o condomínio para levar um recado e acabei cercada por quatro homens mais velhos que me olhavam como se eu fosse o prato principal da tarde.
Não conto isso para aliviar a consciência, e sim para confessar até onde fui capaz de ir naquela tarde, com ele dormindo na maca e ela a poucos metros.
Éramos vizinhos havia anos e mal trocávamos um “oi” no corredor. Naquela noite, quando coloquei meu suéter sobre seus ombros, soube que não íamos mais fingir.
Reconheci o cesto de roupa que não era o meu e, antes de pensar, já tinha enfiado a mão nas peças dele. O que aconteceu depois me mudou por dentro.