A vizinha que descobriu meu canto secreto do arroio
Passei anos me banhando nu naquele arroio achando que ele era só meu. Naquela tarde, entre a vegetação, dois olhos jovens me observavam sem pudor.
Passei anos me banhando nu naquele arroio achando que ele era só meu. Naquela tarde, entre a vegetação, dois olhos jovens me observavam sem pudor.
Há vinte anos atrás do balcão, aprendi a ler as pessoas. Eu sabia que ela não fechava as contas do mês muito antes de ter coragem de me pedir ajuda.
Pedi ajuda com um cano que eu mesma podia desentupir. A verdade é que só queria vê-lo entrar na minha casa sabendo que estávamos os dois sozinhos.
Ela me pediu para subir como cobaia para um óleo novo. O marido dela dormia no quarto ao lado e eu já sabia que aquilo não terminaria em massagem.
Me chamavam de solteirona dos gatos, mas ninguém do bairro imaginava o que acontecia na minha casa toda manhã, toda tarde e toda noite desde aquela terça de verão.
Ninguém respondeu ao interfone, mas a porta se abriu mesmo assim. Ali entendi que já não havia volta e que aquele homem faria comigo o que quisesse.
Acabei de completar vinte e dois e nunca tinha ficado com ninguém. Iván tinha três anos a menos, mas bastou uma aposta besta para eu entender quem mandava.
Ele me desafiou a nadar o último sprint com uma condição que nenhum dos dois pensava cumprir. Mas naquela noite a piscina estava vazia e ninguém nos via.
Aquele porão de pedra sob a casa dele foi minha escola secreta: ali aprendi o que nem ousava nomear, primeiro com Tomás e depois com o irmão dele.
A mão dele subiu do meu joelho até a coxa sem pressa, como se já soubesse de antemão que eu não ia afastá-la. E eu não afastei.
Ele perdeu as chaves diante da porta do único vizinho sobre quem todos o alertavam, e naquela tarde de verão decidiu descobrir por quê tanto mistério.
Eu passava anos roubando as havaianas dela para me esconder com elas. Na tarde em que ela me descobriu na escada, soube exatamente como usar meu segredo.
As reclamações dos vizinhos não a assustavam; a incendiavam. Naquele elevador, cheirava a cerveja e a homem sujo, e ela já estava de joelhos antes de chegar ao último andar.
Aprendi a contar as horas até ela dormir. Só então, na escuridão do beliche, as sandálias eram minhas e ninguém podia ver o que eu fazia com elas.
Era meia-noite em ponto quando atravessei o pátio descalço. As chinelas rosadas dela ainda estavam ali, mornas, com a marca de cada dedo me esperando no escuro.
Quando vi o vídeo no celular dela, soube que não havia mais volta: minha vizinha sabia exatamente o que queria de mim, e eu caí na armadilha.
Ela aumentou o aquecimento ao máximo para que nenhum deles parasse de suar. Queria que chegassem cansados, sujos e com fome de fazer tudo o que ninguém ousava lhe pedir.
Subi para oferecer ajuda como um bom vizinho. Desci transformado em algo bem diferente, ajoelhado no banheiro dela e obedecendo a cada palavra que saía de sua boca.
Desci até a casa dela achando que era um favor qualquer entre vizinhos. Ela me recebeu com um sorriso que não admitia perguntas e uma ordem que eu não soube recusar.
A primeira vez que ela colocou a coleira em mim, eu soube que não havia volta: eu desceria sempre que ela chamasse, pronto para obedecer a qualquer ordem que saísse da boca dela.