A noite em que meu meio-irmão tirou a corda
Sebastián nunca tinha aberto aquele livro na vida. Mas vinha guardando uma corda na gaveta havia semanas, esperando a noite em que ficássemos sozinhos.
Sebastián nunca tinha aberto aquele livro na vida. Mas vinha guardando uma corda na gaveta havia semanas, esperando a noite em que ficássemos sozinhos.
Toda sexta-feira, Marcos cruzava nossa porta sabendo que não voltaria a ser ele mesmo até o domingo. A coleira, a jaula e o vestido o esperavam.
Eu a vi de quatro no gramado seco, com a cauda fofuda balançando entre as nádegas, e soube que aquela tarde de domingo não seria como nenhuma outra.
Quando entrei no apartamento dele, o aroma de café recém-passado era a única coisa inocente naquele lugar. Soube que não sairia de lá igual.
Dizer sim foi fácil na escuridão do quarto. Encarar oito homens nus naquela sala privada foi outra história.
Queriam humilhá-las na frente dos filhos. Não contavam com Beatriz e seu cinturão preto, nem com a corda que Silvia sempre levava na bolsa.
Subimos para o quarto sem saber muito bem como começar. Fui eu quem deu o primeiro passo, e a partir daquele momento não houve mais volta.
Acordei amarrado numa sala com argolas nas paredes e duas mulheres decididas a me fazer falar. Elas cometeram um erro: me deixaram sozinho com os próprios instrumentos.
Me avisaram que ela era amarga, que odiava homens. O que ninguém disse é que, por trás dessa armadura, fazia anos que ninguém a tocava de verdade.
Sentei em cima dele e comecei a contar minha fantasia mais suja. A cada detalhe que eu acrescentava, via-o se desmanchar um pouco mais.
Cheguei só por curiosidade, prometendo a mim mesma que seria só uma taça e pronto. Mas quando a porta se abriu antes de eu bater, entendi que ele já me esperava havia horas.
Nove horas para o meu voo e não havia uma única cama livre em todo o aeroporto. Então ela me olhou da mesa dela e perguntou: «Quer sentar comigo?»
Acordei amarrado num porão, nu e à mercê da mulher que eu investigava. Não sabia que, em poucas horas, seria eu quem seguraria o chicote.
Quando Elena abriu as portas, o cheiro de carne queimada veio antes da imagem. Dois corpos quebrados, um trabalho sujo e uma guarda disposta a impedi-lo.
Sobre a cama havia um conjunto de látex preto e uns saltos no meu número. Nessa noite, Rodrigo não me explicaria nada. Só me amarraria e o que viria depois mudaria tudo.
Acordei algemado ao teto de uma sala cheia de chicotes e argolas. Duas mulheres queriam me dobrar. Ninguém avisou que eu aprendia rápido.
Entrei sozinha, me despi devagar e apertei o botão. Do outro lado da porta, oito homens esperavam meu sinal. Nunca senti tanto medo e tanto desejo ao mesmo tempo.
Treze quilômetros a pé, meias grossas e tênis fechados. Nessa noite eu ia dar a ele o presente que preparei desde que entrei no avião.
Rodrigo engatinhava atrás dos saltos dela pelos corredores do castelo, nu e com o colar apertando sua garganta. Aquele era o café da manhã da rainha.
Quando Sebastián terminou de me descrever o processo, eu já tinha de inventar uma desculpa para ir ao banheiro. Nunca imaginei que, no dia seguinte, seria eu a pedir.