O que aconteceu com o segurança da boate naquela tarde
Aquele armário de homem comia um sanduíche no balcão. Bastou cruzar olhares para saber que naquela noite eu iria procurá-lo na porta da boate.
Aquele armário de homem comia um sanduíche no balcão. Bastou cruzar olhares para saber que naquela noite eu iria procurá-lo na porta da boate.
Cafeína demais para dormir, desci ao saguão e ela ainda estava lá: loira, elegante, com uma xícara de café nas mãos e aquele sorriso que não era totalmente inocente.
Fui pedir uma bebida e voltei com dois homens grudados em mim. Marcos observava de longe, sem intervir. Não até eu dizer basta.
A vendedora garantiu que ninguém poderia me ver. Quando a caixa caiu no chão, fiquei exposta diante de três desconhecidos que não pretendiam ir embora.
Era apenas um nome em uma longa lista. Quando ela ligou a câmera, tudo o que eu acreditava sobre o desejo mudou para sempre.
Quando baixou a persiana e girou a trava, Adil soube que o trâmite daquela noite não seria como os anteriores. A funcionária sabia o que queria.
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Ela sabia e não parou de olhar. Assim começou tudo: nos observando à distância antes que a distância deixasse de importar.
Faziam três meses que eu não ficava com ninguém, e quando o vi entrar no lobby eu soube que aquela noite seria diferente. Não me enganei.
Eu tinha entrado para comprar um brinquedo. Não esperava acabar no chão da loja, completamente nua, com estranhos me olhando do outro lado de uma caixa caída.
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
O cartaz prometia orgia, casais, strippers. O que aconteceu naquele motel foi outra coisa: ele me despiu diante de trinta desconhecidos.
Rodrigo apresentou seus três amigos. Cada um trouxe um envelope e um presente. Valentina olhou para eles e disse que já podiam começar.
Era só um jogo para fazer amigas, mas quando ela perguntou se podia vir naquela noite, entendi que a gente tinha cruzado uma linha que eu queria cruzar.
Eu o adicionei sem pensar. Li tudo o que ele publicou. Nunca dei um like. Três anos depois, ainda não ouso escrever para ele, mas penso nele toda noite.
Duas mulheres separadas, um apartamento arrumado demais e um baralho que ninguém deveria ter encontrado naquela noite.
Doze pessoas que nunca tinham se visto, uma casa com piscina no campo e duas noites sem roupa. Eu montei tudo. Ninguém foi embora decepcionado.
Estava há um mês pensando naquela noite, e contei tudo a Sandra sem filtros. Ela ouviu em silêncio e no fim disse: tenho inveja. Foi assim que tudo começou.
Fazia um mês que eu não conseguia tirar daquele canto do Industria da cabeça. Nessa madrugada, decidi voltar, mas desta vez não iria sozinha.
Desde que entrei no carro, os olhos dele voltavam ao espelho uma e outra vez. Era óbvio que ele estava me olhando. Decidi fazer algo a respeito.
Eu estava andando sozinha quando Ernesto se debruçou pela janela do ônibus e me chamou pelo nome. Eu devia ter seguido em frente, mas algo na voz dele me fez parar.