Quando entreguei o controle a ele pela primeira vez
Eu disse que sim com o coração acelerado. Marcos repetiu a palavra de segurança três vezes antes de começar, e eu soube que estava em boas mãos.
Eu disse que sim com o coração acelerado. Marcos repetiu a palavra de segurança três vezes antes de começar, e eu soube que estava em boas mãos.
Há manhãs em que o corpo vence a mente. Os lençóis úmidos, os quadris se movendo sozinhos, e então invento você: um desconhecido que me desmonta inteira.
Toda manhã eu acordo com o mesmo fogo. Não é amor, não exatamente. É outra coisa, mais urgente, e nenhum alívio dura o bastante para apagá-lo por completo.
Quando o guia mascarado me separou de Mateo naquela hacienda colonial, eu soube que a fantasia que sussurrávamos no escuro estava prestes a virar carne.
Entrei no jogo para fazer amigos. Fiquei porque ali havia homens que queriam o mesmo que eu: algo real, sem nome e sem futuro.
Abri a carta no meu escritório, sozinha, e soube que algo ia mudar antes de terminar de ler. O que eu não esperava era que a mudança viesse do meu marido.
Naquela noite, entendi que ensinar alguém a sentir o próprio corpo pode ser o ato mais íntimo de todos.
Eu guardava seus textos em uma pasta privada e os relia à noite com a luz apagada. Passei meses assim antes de me atrever a escrever para ele.
Marcos disse que seria uma noite diferente. O que Laura não sabia era que os amigos iam apostar fichas para ganhar favores com ela.
Nunca dei like. Nunca comentei. Só lia os textos dele à meia-noite e me perguntava se ele também pensava em alguém como eu.
Enquanto ele descrevia como envolvia suas amantes em filme plástico, eu cruzava as pernas e fingia que o vinho era o motivo do meu calor.
Quando Diego parou o carro em frente ao motel, eu soube que aquela conversa de madrugada sobre minha fantasia mais secreta tinha tido consequências.
A pergunta que fiz a ele numa sexta-feira à noite, na cama, era só o começo. O jogo já estava em andamento havia semanas e ele não sabia.
Colocamos uma música baixinha, apagamos as luzes e prometemos que o que fosse dito naquela noite não sairia dali. A promessa mais difícil de cumprir.
Sete da manhã, o marido ainda dormindo, e eu já sinto esse calor que se instala entre as pernas sem pedir licença. Mais um dia igual. Ou pior.
Disse a mim mesma que seria só um café. Que eu podia controlar a situação. Mas quando ele abriu a porta antes de eu tocar a campainha, já não havia volta.
Olhei-me no espelho e o rosto que vi não era o meu. Era o dela. E, dentro daquele corpo alheio, algo começou a despertar que não deveria ter despertado.
Quando abriu a caixa errada, soube que era um erro. Mas, quando ela entrou no consultório, pequena e assustada, a boneca e a mulher se tornaram a mesma coisa.
Atrás daquelas caixas, pensei que ninguém poderia me ver. A câmera vermelha no teto e os passos à porta diziam o contrário.
Ele vinha fitando o canto escuro do quarto havia meses. A boneca errada que lhe entregaram era o mais perto de companhia que ele tivera em anos.