Como me vinguei da traição do meu namorado perfeito
Achei que não existia queda pior do que aceitar que ele me levasse para casa. Até que ele fechou a porta do apartamento e eu larguei a bolsa no sofá.
Achei que não existia queda pior do que aceitar que ele me levasse para casa. Até que ele fechou a porta do apartamento e eu larguei a bolsa no sofá.
Quando o temporal nos deixou encharcadas, ela me mandou tirar a roupa molhada e começou a se despir sem pudor. Tentei disfarçar o tremor nas mãos.
Eu disse a Mateo para parar, que minha irmã dormia a três metros dali, mas ele insistiu em silêncio. Não imaginei que ela abriria aquela porta justamente então.
Quando a vi descer do ônibus com a mochila rosa no ombro, entendi que ela já tinha decidido tudo e que eu só ia cumprir a minha parte do combinado.
Estávamos há quase um ano conversando pelo WhatsApp sem nunca nos vermos. Naquela tarde, no quarto do hotel, ela se sentou na minha frente e começou a tirar a roupa.
Estávamos morando juntos havia meses quando, certa tarde, ela me viu tenso diante do computador e disse algo que eu jamais esqueci: “Vem, tira um tempo pra relaxar” .
Aos cinquenta e tantos eu achava que nada mais me abalava. Então ela entrou no quarto do meu filho com o cabelo preso e um sorriso que eu não esperava.
A toalha mal me cobria quando bati na porta do vizinho do sétimo. Ele aceitou me ajudar a abrir o apartamento só se eu deixasse cair a única coisa que me cobria.
Eu me vesti para deixar meu namorado de queixo caído. Quem abriu a porta foi o irmão mais velho dele, e os olhos dele me atravessaram inteira antes de me cumprimentar.
Eu queria pregar uma peça acendendo as velas diante do barracão. Quando empurramos a porta, ninguém riu: meu filho estava contra o móvel e o pai do amigo não parava.
Quando o primeiro se aproximou do carro, minha mulher já estava com a saia levantada e a blusa aberta. O que veio depois eu vi tudo de um sofá, copo na mão, sem respirar.
Desci para o banheiro numa noite sem luz, achando que estava sozinho na casa. A lanterna de um celular iluminou a cozinha e entendi por que os dois andavam tão estranhos.
Aos vinte anos, meu mundo era fralda e silêncio. Até que meu chefe me deixou um bilhete junto com o café e começou a me olhar como se eu fosse outra mulher.
Cinco primos, um amigo e uma sauna isolada. Aquela despedida ia começar num jacuzzi com duas bocas se revezando na minha rola e terminar ao amanhecer.
Havia cinco assentos vazios no ônibus e mesmo assim ela escolheu o meu. Sorriu, ajeitou o xale sobre o colo, e eu soube que algo ia começar antes de sair.
A água ainda escorria pelas minhas costas quando ela entrou no banheiro sem bater, com aquele sorriso torto que vinha me esquivando havia semanas.
Ele desejava aqueles lábios em silêncio havia anos. Naquela noite, brigando pelo controle do videogame, a boca dele caiu sobre a minha e tudo se quebrou.
Estávamos sozinhos naquela sesta de março, ela ainda com o uniforme. Não sei como passamos de fazer cócegas no sofá para outra coisa.
Voltei de meses na Patagônia e a encontrei sentada na cozinha à uma da manhã, com uma taça na mão e aquele olhar que prometia briga.
A loja estava vazia às três da tarde. Quando ele baixou a porta e me levou ao provador, eu soube que aquela sesta não seria como nenhuma outra.