O valentão do parque me obrigou a pagar com o meu corpo
Atravessei o parque com o pulso disparado, sabendo que naquela noite o valentão não se contentaria com minha calcinha nem com o dinheiro que já não me restava.
Atravessei o parque com o pulso disparado, sabendo que naquela noite o valentão não se contentaria com minha calcinha nem com o dinheiro que já não me restava.
Há meses fico pensando nisso. Três pessoas diferentes caíram numa única semana na parada da estrada. A última fui eu, e ainda não consigo me explicar.
Eu aguentava há dois anos os olhares do meu chefe e os insultos silenciosos da esposa dele. Naquela tarde, quando o último funcionário apagou a luz, parei de ignorar tudo.
Eu tinha 18 anos. Nunca imaginei que uma viagem com minha avó e minha mãe acabaria assim. A tempestade já durava dois dias sem parar.
Quando chegamos ao porto e ela desceu da moto, as mãos dela ainda estavam na minha cintura. Nenhum dos dois as afastou de imediato.
Eu fazia dois anos que ninguém me olhava daquele jeito. E quando Miguel olhou, soube que algo em mim não estava tão adormecido quanto eu pensava.
Não havia parceira, não havia pressa. Só eu, a escuridão e os gemidos de uma cantora que, desde os anos noventa, nunca deixou de me fazer sentir alguma coisa.
Três dias de viagem, a casa destruída por uma festa e ele na minha cama, nu como se fosse dele. Eu devia tê-lo posto na rua.
Entrei no hotel com o vestido preto e a decisão tomada. O que eu não esperava era que o meu próprio corpo me traísse daquele jeito.
A primeira vez eu tinha quinze anos. Cheguei mais cedo em casa e encontrei as duas no quarto. Sandra de bruços na cama, minha mãe massageando suas costas. As duas riam baixinho.
Ela era amiga da minha mãe, tinha cinquenta anos e, quando me olhou da borda da mesa, eu entendi que os documentos eram só uma desculpa.
Foi ao rio pescar e encontrou algo entre os arbustos que não esperava ver: sua vizinha e um desconhecido. Não se moveu. Não disse nada. Apenas olhou.
A esposa do meu chefe me chamava de vadia nas mensagens privadas. Se ela achava que era verdade, naquela tarde eu ia dar razão a ela.
Eram cinco e meia quando ouvi a voz dela do outro lado da porta. O que veio depois me deixou pregada no corredor por dez minutos.
Passei meses fugindo dele. Valentina me arrastou para a caminhonete sem me dar saída. Ele estava no volante, sério, sem me olhar.
Havia algo nos olhos dela quando se virou que deveria ter me preocupado. Não era a raiva de uma vizinha irritada. Era uma promessa.
Quando ela trancou a porta do escritório e me olhou daquele jeito, eu soube que as pastas eram só uma desculpa para o que viria depois.
Eu tinha quinze anos quando as surpreendi pela primeira vez. Hoje, com vinte e dois, já não consigo olhar aquelas lembranças da mesma maneira.
Olhei-me no espelho e soube que algo tinha mudado. Ele ainda dormia do outro lado do corredor, e eu levava dez minutos sem conseguir tirar os olhos da porta dele.
Ele vinha me pedindo há meses. Quando vi aquele celular na vitrine, soube exatamente o que podia oferecer em troca dele.