Uma confissão de verão que nunca esqueci
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
Quando Valentina entrou na cozinha naquela manhã, ele estava apoiado na ilha com o café na mão e um olhar que não tinha nada de fraternal.
Eu estava há meses sem abrir aquela pasta oculta no celular. Nessa noite, a insônia e o desejo decidiram por mim.
Caminhei descalça pelo corredor e encostei a testa na porta do quarto. Sabia que ele viria atrás. E sabia exatamente o que ele faria comigo ali.
Na segunda, só descobri que ele não conseguia tirar os olhos de mim. Na sexta, me deu a chave da biblioteca e me marcou às seis.
Uma enseada escondida, um mirante sobre o mar e uma aposta: ele tinha um minuto para fazê-la gozar antes de serem flagrados.
Eu o adicionei sem pensar. Li tudo o que ele publicou. Nunca dei um like. Três anos depois, ainda não ouso escrever para ele, mas penso nele toda noite.
Sempre pensei que gostava de homens. Foi o que achei, até a noite em que minha amiga me olhou de outro jeito e algo em mim respondeu sem eu decidir.
Quando ele me chamou à mesa e pediu que eu parasse de distraí-lo, eu soube que na sexta-feira minha tanga não voltaria para casa comigo.
Ela apareceu sem avisar no início do semestre e, desde o primeiro dia, me encarou sem vergonha. Não sei quando comecei a precisar que ela fizesse isso.
Marcos tinha o corpo que eu tinha na idade dele. Naquela noite, com todo mundo dormindo, senti que havia algo mais do que calor entre nós naquela cama estreita.
Eu tinha vinte e seis anos e nunca tinha feito nada parecido. Entrei naquela sala com as mãos trêmulas e saí sendo outra pessoa.
Só levava um casaco longo e botas de salto. Seu único plano era sentir os olhares de estranhos percorrendo seu corpo enquanto fingia fazer compras.
Se tivessem nos dito naquela manhã que acabaríamos num quarto com espelho no teto, nenhum de nós teria acreditado.
Quando vi o homem se aproximando pela trilha, ele apertou minha cabeça com mais força. Não ia parar. E eu também não queria que ele parasse.
Ele demorava a se trocar. Ela esperava do lado de fora. E um grupo de turistas passou no lugar errado, na hora perfeita.
Havia meses eu fantasiava me render a alguém que soubesse assumir o controle. Não imaginei que o encontraria numa sexta-feira, no balcão de um bar.
A brisa noturna, dois baseados acesos e a certeza de que todos dormiam. Só faltava alguém dizer em voz alta o que nós dois pensávamos.
Quatro taças de vinho e Rodrigo começou a falar. O que saiu da boca dele naquela noite mudou as regras entre os dois para sempre.
Levávamos quatro anos trocando olhares naquele bar. Ela de óculos, eu sem saber o que fazer com tudo o que sentia cada vez que ela me servia.