A travesti do iate que conheceu um homem diferente
Eu cobrava caro e escolhia com quem. O convite para o iate parecia mais um trabalho, até que na praia apareceu o único homem que me tratou diferente.
Eu cobrava caro e escolhia com quem. O convite para o iate parecia mais um trabalho, até que na praia apareceu o único homem que me tratou diferente.
Eu me barbeava, colocava a peruca e os saltos, e falava com a câmera como se alguém fosse aparecer de verdade. Numa noite, alguém apareceu.
Na primeira noite sob o poste, com o frio cortando meu rosto, entendi que minha androginia podia ser uma arma. Só precisava aguentar até ter o corpo que sempre quis.
Quando o velho me disse «venha passar quinze dias e não pergunte nada», eu deveria ter recusado. Em vez disso, peguei a bolsa e subi na caminhonete sem olhar para trás.
Subi esses degraus com o coração a mil, sem imaginar que sairia do apartamento convertido em outra pessoa e com um nome de mulher nos lábios.
Tranquei o vestiário, abri a maleta e deixei de ser Tomás. Nessa noite, no clube, eu não imaginava que meu próprio chefe ia abrir a porta.
Cinco amigos do chefe, uma casa alugada e uma partida de pôquer. Diego sabia como eu ia me vestir em cada rodada; o que ninguém sabia era como a noite terminaria.
Disquei o número que ele me deu na estrada sem saber seu nome. Em duas horas ele estaria na minha porta, e eu já tinha colocado a peruca loira e os saltos mais altos.
O parquímetro tinha vencido e ele já se ajoelhava com o bloqueador. Eu tinha poucos segundos para convencê-lo de outro jeito.
Confessei a fantasia às onze e meia da noite. Às duas da manhã já tínhamos o encontro marcado e eu estava mais assustado do que ela.
Quando abriu a pasta oculta do celular e virou a tela para mim, entendi que a tímida de sempre tinha se atrevido, enfim, a contar tudo.
Desci do avião sem saber que aquela viagem terminaria com a mão dele apertando minha cintura na areia, e eu desejando que o dia nunca nascesse.
Não procuro amor nem promessas. Naquela tarde eu o vi atravessar a praça e soube exatamente o que queria pedir, embora nunca tivesse ousado tanto.
Abri a porta da cabana esperando encontrar um beliche livre e me deparei com cinco desconhecidas seminuas. Naquela mesma noite entendi por que viajo sozinho.
Achávamos que estávamos sozinhos na enseada escondida, até eu notar que aqueles três não tiravam os olhos de nós. E isso nem incomodava a gente.
Pensei que tudo tinha acabado quando o diretor me pagou e me dispensou. Eu não imaginava que a verdadeira dona do meu corpo era ela, a mulher da mesa ao lado.
Amarrada sob as luzes e com o olhar dele cravado em mim, entendi que naquela noite o verdadeiro espetáculo era ele: obrigado a ver tudo o que se recusou a me dar.
Subi no vagão mais lotado para escapar de umas mãos que eu não queria, sem imaginar que acabaria buscando outras à vista de toda a plataforma.
Aceitei o encontro vestida de mulher, sem saber que naquela tarde no carro dele eu decidiria tudo o que viria depois. Ele só me olhou e disse: «Você vai ter clientes».
Dois desconhecidos me filmavam por baixo da mesa enquanto ele me mandava ficar quieta. O pior era que eu gostava de ser o espetáculo de toda a sala.