A noite em que voltei para procurá-lo debaixo da ponte
Havia algo pendente daquela primeira noite sob a ponte. Meu corpo se lembrava. Uma semana depois, meus pés me levaram sozinhos.
Havia algo pendente daquela primeira noite sob a ponte. Meu corpo se lembrava. Uma semana depois, meus pés me levaram sozinhos.
Apagaram as luzes do ônibus e ele pôs a mão sobre a minha. Nenhum dos passageiros dormindo sabia o que estava acontecendo debaixo daquela coberta.
Quando ele me propôs ir ao banheiro juntos, eu já estava horas esperando ele dizer isso. Roma podia esperar. O que veio depois, não.
Eu estava há semanas sem que ninguém me tocasse. Quando o motorista me olhou pelo retrovisor com aquele meio sorriso, soube que naquela noite eu não voltaria para casa sozinha.
Ninguém falou do que aconteceu naquela semana. Não precisava. As três sabíamos que alguma coisa entre nós tinha mudado para sempre.
Ainda com o gosto da pele dela nos lábios, eu soube que aquela noite no carro mudaria tudo o que eu achava saber sobre desejo.
Eu sabia que haveria consequências por chegar tarde. O que eu não sabia era que Marcos tinha planejado algo muito pior do que um castigo.
Quando vi o massagista entrar nu na sala de óleos, soube que aquilo não era um presente de aniversário normal. E eu estava certa.
De manhã eu era a esposa invisível de sempre. À noite, escrevia o que não ousava pedir. Até que alguém leu e decidiu me dar.
Aquele armário de homem comia um sanduíche no balcão. Bastou cruzar olhares para saber que naquela noite eu iria procurá-lo na porta da boate.
Cafeína demais para dormir, desci ao saguão e ela ainda estava lá: loira, elegante, com uma xícara de café nas mãos e aquele sorriso que não era totalmente inocente.
Fui pedir uma bebida e voltei com dois homens grudados em mim. Marcos observava de longe, sem intervir. Não até eu dizer basta.
Quando baixou a persiana e girou a trava, Adil soube que o trâmite daquela noite não seria como os anteriores. A funcionária sabia o que queria.
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Ela sabia e não parou de olhar. Assim começou tudo: nos observando à distância antes que a distância deixasse de importar.
Faziam três meses que eu não ficava com ninguém, e quando o vi entrar no lobby eu soube que aquela noite seria diferente. Não me enganei.
Debaixo da jaqueta dele, algo se movia. Eu devia ter ido embora. Em vez disso, deslizei a mão e o que veio depois mudou aquele verão para sempre.
O cartaz prometia orgia, casais, strippers. O que aconteceu naquele motel foi outra coisa: ele me despiu diante de trinta desconhecidos.
Rodrigo apresentou seus três amigos. Cada um trouxe um envelope e um presente. Valentina olhou para eles e disse que já podiam começar.
Era só um jogo para fazer amigas, mas quando ela perguntou se podia vir naquela noite, entendi que a gente tinha cruzado uma linha que eu queria cruzar.
Eu o adicionei sem pensar. Li tudo o que ele publicou. Nunca dei um like. Três anos depois, ainda não ouso escrever para ele, mas penso nele toda noite.