A noite em que concordamos em mudar tudo entre nós
Valentina vestiu o vestido preto à meia-noite. Dois desconhecidos tocaram a campainha. Marcos sabia o que ia acontecer e, ainda assim, abriu a porta.
Valentina vestiu o vestido preto à meia-noite. Dois desconhecidos tocaram a campainha. Marcos sabia o que ia acontecer e, ainda assim, abriu a porta.
Sentei no murinho de frente para o mar, separei as pernas e deixei o vento fazer o resto. Seis desconhecidos viram tudo. Eu precisava deles todos.
Abri a porta esperando um. Eram dois. E traziam uma mochila com tudo o que precisavam para me transformar no brinquedo deles por horas.
Marcos apresentou Lucía como sua mulher diante do bartender. Ela era a mulher de Diego. Ninguém corrigiu. Foi assim que aquela noite começou.
Eu sabia antes de sair o que ia fazer. Subi no primeiro caminhão que parou e entendi que aquele dia não ia acabar cedo.
Havia algo pendente daquela primeira noite sob a ponte. Meu corpo se lembrava. Uma semana depois, meus pés me levaram sozinhos.
Apagaram as luzes do ônibus e ele pôs a mão sobre a minha. Nenhum dos passageiros dormindo sabia o que estava acontecendo debaixo daquela coberta.
Quando ele me propôs ir ao banheiro juntos, eu já estava horas esperando ele dizer isso. Roma podia esperar. O que veio depois, não.
Eu estava há semanas sem que ninguém me tocasse. Quando o motorista me olhou pelo retrovisor com aquele meio sorriso, soube que naquela noite eu não voltaria para casa sozinha.
Ninguém falou do que aconteceu naquela semana. Não precisava. As três sabíamos que alguma coisa entre nós tinha mudado para sempre.
Ainda com o gosto da pele dela nos lábios, eu soube que aquela noite no carro mudaria tudo o que eu achava saber sobre desejo.
Eu sabia que haveria consequências por chegar tarde. O que eu não sabia era que Marcos tinha planejado algo muito pior do que um castigo.
Quando vi o massagista entrar nu na sala de óleos, soube que aquilo não era um presente de aniversário normal. E eu estava certa.
De manhã eu era a esposa invisível de sempre. À noite, escrevia o que não ousava pedir. Até que alguém leu e decidiu me dar.
Aquele armário de homem comia um sanduíche no balcão. Bastou cruzar olhares para saber que naquela noite eu iria procurá-lo na porta da boate.
Cafeína demais para dormir, desci ao saguão e ela ainda estava lá: loira, elegante, com uma xícara de café nas mãos e aquele sorriso que não era totalmente inocente.
Fui pedir uma bebida e voltei com dois homens grudados em mim. Marcos observava de longe, sem intervir. Não até eu dizer basta.
Quando baixou a persiana e girou a trava, Adil soube que o trâmite daquela noite não seria como os anteriores. A funcionária sabia o que queria.
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Ela sabia e não parou de olhar. Assim começou tudo: nos observando à distância antes que a distância deixasse de importar.
Faziam três meses que eu não ficava com ninguém, e quando o vi entrar no lobby eu soube que aquela noite seria diferente. Não me enganei.