Ajoelhei-me diante de uma desconhecida no aeroporto
Eu não conseguia parar de olhar para as botas dela. Quando me pegou, em vez de se afastar, perguntou se eu era do tipo que morre de vontade de beijar solas.
Eu não conseguia parar de olhar para as botas dela. Quando me pegou, em vez de se afastar, perguntou se eu era do tipo que morre de vontade de beijar solas.
Pedi que ele calçasse meus saltos para eu ficar uma cabeça acima dele, e no rosto dele entendi que naquela noite ele não mandava em nada.
Ele só queria uma camisa decente. Mas então ela ergueu o olhar do balcão, e a cabeça de Andrés começou a inventar o que nunca iria acontecer.
Quando meu marido se levantou para ir ao banheiro, eu soube que o homem da mesa ao lado viria se aproximar. Eu ainda não tinha dito a ele que tinha medo de voltar a algo assim.
Vivíamos quinze anos de rotina até que um brinquedo esquecido numa gaveta acendeu algo que nenhum dos dois sabia controlar. E isso era só o começo.
Quando desci ao lobby para fugir da festa corporativa, não esperava pelo garçom que me olharia como se soubesse exatamente do que eu precisava naquela noite.
Eu poderia ter me trocado em trinta segundos. Em vez disso, caminhei até a porta de salto, sabendo exatamente o que ele veria.
Ela me disse que nunca havia contado isso em voz alta, que durante anos foi só uma fantasia guardada. Nessa tarde, enfim, deixou um desconhecido fazer o que quisesse com ela.
Veio posar como rainha do submundo. Disparei o flash repetidas vezes, profissionalmente, até ela abrir as pernas e eu entender que a sessão era outra coisa.
Ela foi à minha casa com duas cervejas e uma história que precisava tirar de dentro: a noite em que entendeu que gostava de perder o controle por completo.
Enquanto ele fervia o chá, os dois homens amarrados à mesa começavam a entender que naquela noite ninguém sairia daquela sala como entrou.
—Eu ponho as regras, vocês seguem — disse ela, e nenhum dos quatro ousou contradizê-la. Três meses de isolamento nos deixaram à mercê dela.
Eu me vestia escondida havia anos, mas naquela noite calcei as botas, as meias arrastão e o vestido de veludo, e cruzei a porta sendo ela.
Há quem colecione selos ou lembranças de viagens. Eu coleciono noites, bocas e mãos que já esqueci — e ainda não entendo por que isso deveria me envergonhar.
Havia uma porta fechada ao lado do quarto de Bárbara. Abri por curiosidade, sem saber que naquela mesma tarde eu terminaria amarrado lá dentro.
Ofereci a roupa velha do meu marido como pretexto. A verdade é que eu passava meses imaginando o que aconteceria se um dia eu o tivesse perto, dentro da minha casa.
Três e meia da tarde, sem calcinha e com um plano muito claro na cabeça. O que eu não calculei foi quem acabaria falando comigo pela porta.
Escrevo enfim: me excita ser o putinho anônimo de um homem casado, me ajoelhar sem saber o nome dele e que ele também não saiba o meu. Só isso. De novo e de novo.
Eu vinha me apagando em silêncio havia doze anos. Nessa noite, coloquei o vestido que ele odiava, saí sem avisar e não voltei a ser a mesma mulher.
Ela me pegou vendo aqueles vídeos às escondidas. Em vez de ficar com raiva, sorriu e perguntou: «Você realmente quer que outro me coma na sua frente?».