Camila sempre sorria, até de joelhos
Ela chegou com a mochila no ombro e uma chupeta vermelha entre os lábios. Tinha acabado de fazer vinte e dois e ria como se soubesse exatamente o que viria depois.
Ela chegou com a mochila no ombro e uma chupeta vermelha entre os lábios. Tinha acabado de fazer vinte e dois e ria como se soubesse exatamente o que viria depois.
Ela não tinha cometido nenhuma falta, e ele quis vê-la de joelhos com o pano na mão. Ela obedeceria, porque era isso que escolhera ser para ele.
Quando vi o nome dele na tela, meu estômago apertou. Duas semanas lembrando a boca e as mãos dele, e lá estava ele de novo, como se nada tivesse acontecido.
Quando abri os olhos, meus pulsos estavam presos sobre a cabeça e eu não tinha uma peça sequer no corpo. O problema não era esse. O problema era que ele sorria.
Ela o mediu de cima a baixo e disse: “Você anda como se pedisse permissão para existir.” Ela tinha razão. E era exatamente isso que ela queria dele.
Achei que o simulado de incêndio duraria minutos. Duas horas depois, numa sala sem sinal e sem testemunhas, entendi que não havia simulado nenhum.
Ela saiu do banheiro com um blazer branco que mal cobria o necessário, uma chupeta vermelha nos lábios e aquele sorriso dela. Sabia que aquela noite seria diferente.
Quando ela me mandou me ajoelhar, obedeci. Entendi que eu tinha deixado de ser sua paciente para me tornar algo completamente diferente.
O garoto da vizinhança me olhava sem vergonha, de cima a baixo, enquanto eu tentava manter a voz firme. Tinha quarenta e seis anos e um filho para salvar.
Toda sexta-feira, Marcos cruzava nossa porta sabendo que não voltaria a ser ele mesmo até o domingo. A coleira, a jaula e o vestido o esperavam.
Naquela tarde decidi que ia transar com ele custasse o que custasse, mesmo tendo que me vestir para ele e chegar sem disfarce. O que aconteceu depois me deixou tremendo.
Eu a vi de quatro no gramado seco, com a cauda fofuda balançando entre as nádegas, e soube que aquela tarde de domingo não seria como nenhuma outra.
Fui buscar água à meia-noite e a encontrei sozinha diante da máquina de lavar. Não me anunciei. Fiquei no batente, olhando, sem conseguir ir embora.
Quando Valeria pôs a mão na minha nuca e me empurrou para baixo, entendi que aquela noite ia cruzar uma linha sem volta.
Queriam humilhá-las na frente dos filhos. Não contavam com Beatriz e seu cinturão preto, nem com a corda que Silvia sempre levava na bolsa.
Resisti três dias antes de discar o número dele. Quando ouvi Marcos atender, soube que nenhuma promessa que fiz a mim mesma importava mais.
Eu o vi ao meio-dia na cafeteria da costa. Naquela noite ele estava na porta do clube com a chapa de segurança, e eu soube que não iria embora sem prová-lo.
Três colegas de escritório a convidaram para ficar depois das dez. Eles não sabiam que Camila tinha suas próprias regras para esse tipo de noite.
Sentei em cima dele e comecei a contar minha fantasia mais suja. A cada detalhe que eu acrescentava, via-o se desmanchar um pouco mais.
A voz dele me derreteu antes mesmo de as mãos me tocarem. Nunca achei que um desconhecido num spa me faria me sentir tão exposta e tão livre ao mesmo tempo.