O voyeur que espiou a dama nua
Bastava um buraco do tamanho de uma ervilha para vê-la passar nua sobre o cavalo branco. Roderic fez esse buraco e, desde então, não conseguiu mais fechar os olhos em paz.
Bastava um buraco do tamanho de uma ervilha para vê-la passar nua sobre o cavalo branco. Roderic fez esse buraco e, desde então, não conseguiu mais fechar os olhos em paz.
Sete anos de amizade fingindo não sentir nada. Naquela madrugada, entre dois carros num beco, nós dois paramos de fingir.
Eu tinha passado no vestibular por pouco e nunca tinha tocado numa garota. Em quatro dias descobri por que duas professoras guardavam segredos.
Naquela tarde de sexta-feira, com a segunda taça de vinho na mão, Valeria me olhou diferente e começou a me contar o que fazia nos fins de semana.
Durante três anos vendi meu corpo por dinheiro. O que vou contar nem meus amigos mais próximos sabem. Alguns clientes não eram clientes: eram predadores.
Entrei naquele bar do calçadão procurando frutos do mar e acabei fechando quinze dias com uma desconhecida. Três anos depois, ainda não contei isso a ninguém.
Quando Valeria calçou as sandálias douradas e me olhou daquele jeito, eu soube que naquele dia não sairia de lá só com um relógio.
Nunca imaginei que meu colega guardasse os mesmos segredos que eu. Descobrimos isso naquela noite, com o bar quase vazio e vinho demais nas taças.
Quando ele chegou à minha porta achando que vinha ajudar, eu já tinha tudo planejado. Ele tinha vinte anos e a ingenuidade de quem não sabe o que o espera.
Eu tinha 18 anos e era tímido a ponto de nunca ter tocado numa mulher. O que começou como aulas de reforço acabou sendo minha verdadeira iniciação.
O corredor estava escuro quando decidi empurrar a porta dele. Eu sabia o que significava entrar. E entrei mesmo assim.
Não fiz por dinheiro. Fiz porque tudo me dava igual. Vê-la feliz com outro naquele bar foi o estopim de uma fase que eu não deveria ter vivido.
Eu sabia que ele era o pai da minha amiga. Sabia que era loucura. Mesmo assim, meus pés me levaram até a porta dele, quilômetro após quilômetro.
Viajávamos juntos, mas dormíamos separados. Eu era covarde demais para cruzar aquele corredor. Até que ela bateu na minha porta.
Há cinco anos dividíamos a sala. Numa noite, com a terceira taça de vinho, Andrés deixou escapar uma frase que mudou tudo entre nós.
Ela entrou na sala andando devagar, com o rosto pálido e um gesto de dor ao se sentar que não dava para disfarçar. Levei dias para arrancar a verdade.
Há seis anos, entrei no quarto do meu irmão mais velho numa noite de agosto. Não fui para conversar. Eu sabia exatamente o que queria fazer.
Vi minha ex beijando outro no bar. Naquela noite, cruzei uma linha que nunca tinha cruzado e passei meses cobrando para dar prazer a desconhecidos.
Não havia parceira, não havia pressa. Só eu, a escuridão e os gemidos de uma cantora que, desde os anos noventa, nunca deixou de me fazer sentir alguma coisa.
Ela passou semanas preparando a viagem para se afastar dele. Mas ele apareceu à sua porta antes que ela pudesse fugir.